
No momento sou um escritor que não escreve, isso não seria um problema a princípio, ora ninguém espera que um escritor escreva o tempo todo não é mesmo, afinal um contador não faz conta ininterruptamente, bem como um professor não se ocupa em lecionar sem intervalos e descanso ou da mesma maneira um atleta também repousa, de modo que afinal qual seria a novidade em se observar que um escritor não escreve? Nada se não fosse um mero detalhe, este escritor não escreve a anos, tantos que já perdi a conta (ainda bem que não sou contador também) tantos, tantos que começo a pensar se pode haver uma espécie de ex-escritor quando se tem uma obra considerável publicada… mas quem vive de passado não é mesmo? Se ele ao menos existisse, mas pobre passado que não existe e pobre daqueles que querem viver do passado, se voltam para um lugar que não se pode voltar pois ninguém passa pelo passado, passa pelo presente e quando este passa pronto, passado! Assim passou minha inspiração, ou terá se esgotado? Bem já não sei. Mas sei que nada disso altera os fatos e para mim, hoje escrever qualquer linha que seja é tão difícil quanto tentar alcançar o futuro (digo futuro porque já estava muito nostálgico falando do passado) quando o alcança, já é presente e quando se dá conta já é passado. Ah! Pego-me novamente olhando para trás como se essas rememorações fossem alterar meu árido presente. Bom, se nada me vem a mente para escrever, permita-me amigo ao menos publicar essa nossa conversa para diminuir minha vergonha.
